Boas práticas

Partnership: Quando faz sentido oferecer sociedade para executivos da sua empresa?

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26/06/2020 | Patricia Stille

Mais comuns em empresas do setor financeiro, jurídico, consultorias e startups em geral, modelos de partnership vêm ganhando cada vez mais aceitação no mundo corporativo, em especial nas organizações de rápido crescimento focadas em promover a meritocracia.

Muitas grandes empresas tem programas oferecendo pacotes de ações para funcionários, multinacionais como Coca-cola, Unilever, entre outras, já fazem isso há décadas. Porém, no segmento de PMEs, normalmente “negócios de dono”, muitos empresários ainda têm receio de adotar esses tipos de incentivos, tornar funcionários sócios, temendo qualquer interferência na gestão de suas empresas.

Entretanto, ter sócios não significa abrir mão de controle, desde que os termos dos contratos de opções e o acordo de acionistas sejam organizados de forma adequada.

Na prática, oferecer participação para executivos-chave aumenta o alinhamento com os objetivos da companhia, uma vez que o sucesso da empresa refletirá na valorização de suas participações. A sociedade se torna, então, um objeto de desejo, utilizado pela alta liderança para estimular que funcionários produzam mais e se empenhem para crescer com o negócio.

No entanto, para garantir o sucesso da empresa e do programa de partnership, a seleção de novos sócios deve ser cuidadosa e obedecer a importantes critérios.

Os funcionários precisam entender que alcançar esse status depende de uma combinação de alta performance e postura adequada, passando por pontos como:

  • Comprometimento - Alto nível de empenho, foco em autodesenvolvimento e forte senso de responsabilidade são pré-requisitos para quem almeja ser sócio de uma organização; 
  • Alinhamento  - As pessoas não precisam pensar igual, mas é fundamental compartilhar a visão do negócio, ter os mesmos objetivos, propósitos, e agir de acordo com tudo isso;
  • Postura - Sócios devem ter postura de dono, “respirar o negócio” e seguir as regras, liderando pelo exemplo e se fazendo respeitar.

O conceito de partnership meritocrático é muito bem-sucedido em muitas instituições. Praticamente todas as grandes consultorias, como PwC, Delloite, KPMG, Ernest & Young, Mckinsey, Bain Company e muitas outras, oferecem sociedade para colaboradores de destaque, e esse momento é considerado o ponto alto da carreira para os consultores mais experientes dessas instituições.

Também podemos citar como exemplos, a grande maioria dos bancos, corretoras, gestoras de recursos, enfim, o sistema financeiro como um todo, de Goldman Sachs a XP Investimentos.

Mas existem negócios e negócios, e para avaliar se faz sentido e qual o momento de implementar um programa de partnership na sua empresa, é essencial refletir sobre algumas perguntas-chave, entre elas:

Qual o estágio de maturidade da operação?

É recomendado que um programa de partnership seja implementado quando a instituição estiver um pouco mais estruturada, já entendendo seu DNA e suas características, tendo uma cultura formada e ainda um tempinho de convivência com os funcionários. Dessa forma, fica mais fácil traçar o perfil desejado para os sócios, evitando passos precipitados.

Qual o perfil da mão de obra? Quão bem formados são os profissionais? Quais são os incentivos de curto e longo prazos?

Não adianta oferecer participação para funcionários ainda não maduros para entender o significado e a responsabilidade de ser sócio de uma empresa, e não funciona oferecer uma perspectiva de ganhos no futuro para pessoas que tenham necessidade e/ou mindset voltado para obter ganhos no curto prazo. 

A empresa realiza processo de avaliação periódica da equipe? Existem metas e objetivos claros? Como são medidos?

Ponto de partida para avaliar se alguém tem potencial para se tornar sócio é acompanhar suas entregas, entender sua performance e vislumbrar seu potencial na empresa. Por isso, antes de implementar o programa, é fundamental que a empresa esteja preparada para avaliar a performance e comportamento de seus funcionários de forma adequada.

Construir um modelo de partnership é um processo. Qualquer empresa passa por diferentes ciclos de crescimento e, invariavelmente, ajustes acabam sendo feitos nas regras da sociedade também, até porque muito aprendizado vai acontecendo no caminho. 

É importante deixar claro que não existe um modelo mais acertado, uma vez que cada empresa tem suas características próprias, e isso vai implicar em um conjunto de regras diferentes. Contudo, de uma forma ou de outra, o princípio da meritocracia deve ser sempre lembrado para garantir o sucesso das empresas.

Em um partnership equilibrado e maduro, a composição societária tende a refletir o peso da importância dos executivos-chave no negócio, sabendo que os percentuais não devem mudar da noite para o dia, e as reavaliações normalmente acontecem anualmente em muitas instituições, aferidas por avaliações formais de desempenho e muito bom senso.

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