Captação de recursos

Como o capital de risco ajudou a moldar a economia mundial e segue como um mercado cheio de oportunidades

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20/08/2020 | Rodrigo Fiszman

Capital, conhecimento e o interesse por inovações têm sido cruciais para o desenvolvimento de muitos negócios ao longo da história. Apple, Amazon, Starbucks, Facebook e Google são alguns dos exemplos mais recentes da importância do capital de risco para impulsionar empresas que acabam se tornando ícones em seus mercados. O avanço das novas tecnologias e o varejo como o conhecemos hoje não seriam possíveis se, em algum momento, alguém — ou um grupo de pessoas — não tivesse decidido apostar no que, inicialmente, era apenas a ideia de um empreendedor.


Organizado de diferentes formas ao longo dos séculos e suportado por vários grupos de investidores, o capital de risco tem desempenhado um papel fundamental na história dos negócios, gerando empregos, oportunidades e ajudando a moldar a dinâmica das economias. Foi, afinal, graças ao suporte de um grupo de investidores privados que, lá atrás, a Companhia das Índias Orientais (sigla VOC) pôde tomar forma.


Criada no século XVII como a primeira corporação multinacional do mundo, a VOC tinha um papel não só econômico mas também político — fortalecendo a Europa como centro do comércio mundial na época e marcando o nascimento da Era Moderna. Seus controladores enriqueceram com a companhia que, ao longo de todo aquele século, foi considerada como um dos investimentos mais atraentes e almejados. Mas, nem por isso, desprovido de riscos. Dá para imaginar que no início não deve ter sido uma decisão nada simples. Tratava-se de um projeto para financiar uma companhia de navios, que fariam viagens transoceânicas, indo e vindo abarrotados de mercadorias entre portos pouco conhecidos, em um momento em que os meios de comunicação eram primários. Porém, para que tudo isso fosse possível, àqueles que financiaram precisaram ter confiança no projeto e em todas as pessoas envolvidas.


De lá para cá, é claro que muitas coisas mudaram. Mas permanece igual a lógica de investir em algo ainda pré-operacional, ou em empresas promissoras menos maduras, visando obter bons retornos sobre o capital. De forma que, muitos séculos depois, o mercado de private equity e venture capital segue movido pelos mesmo impulsos que incentivaram antigos investidores.


Normalmente quem investe nessa indústria, além de querer gerar ganhos, tem um certo desejo de ajudar a transformar o mundo e apoiar várias causas. Por isso, é comum ver muitos investidores e instituições gestoras definindo um determinado perfil de empresas alvo, que refletem suas preferências por setores e/ou estágios de maturidade dos negócios.


No cenário atual, muitas boas empresas estão fragilizadas por causa da crise. Mas são nos momentos de maior aversão à risco e menor previsibilidade que surgem excelentes oportunidades de fazer grandes negócios. Na nossa visão, os investimentos em participações de empresas privadas estão entre os que mais vão crescer na próxima década. Isso porque brasileiros são empreendedores por natureza, muitos novos negócios têm surgido e o contexto de juros baixos vai acelerar a alocação de recursos em economia real.


Esperamos que em um futuro próximo cada vez mais pessoas tenham acesso para investir em oportunidades, hoje restritas à uma minoria de alocadores profissionais, buscando diversificar patrimônio e potencializar retornos no longo prazo. Acreditamos que o crescimento dessa classe será um movimento natural, principalmente no cenário atual de juros baixos, que deve perdurar nos próximos anos, mas também porque uma vez descobrindo esse mercado, muitos vão perceber que é bem mais interessante investir em negócios que eles entendem, se identificam e podem ver crescer no tempo.

*Texto publicado em 30 de Junho de 2020.

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