Investimento em PMEs

Investimentos em empresas privadas: entenda o histórico dessa indústria e seu grande potencial nos próximos anos.

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20/08/2020 | Patricia Stille e Rodrigo Fiszman

Muitas das grandes empresas que conhecemos hoje receberam recursos de investidores que acreditaram no potencial desses negócios e, além da reserva financeira, tinham perfil para alocações de longo prazo.


Explicando um pouco as nomenclaturas largamente utilizadas no mercado financeiro, quando dizemos Private Equity (PE), cuja tradução é “Ativo Privado”, nos referimos à investimentos em participações de empresas privadas, ou seja de capital fechado. Mas, olhando pelo ângulo de estágios de maturidade, o termo Private Equity também é utilizado para classificar o investimento em companhias mais consolidadas, em muitos casos já com potencial para abrir capital em bolsa. Enquanto Venture Capital (VC) são alocações em empresas privadas de menor porte, geralmente em estágios mais iniciais.
Mas, independente da maturidade das empresas investidas por esses veículos, em geral os recursos captados são utilizados para viabilizar desde projetos em fase inicial até estratégias de crescimento e expansão de empresas mais maduras.


Negócios em crescimento precisam de caixa para desenvolver suas iniciativas, mas ter um fundo de PE/VC como investidor normalmente tem vantagens que vão muito além do capital. É comum que, ao se tornarem sócios das empresas, os fundos desempenhem também um papel estratégico, pois as equipes por trás desses grandes investimentos são, em sua maioria, profissionais altamente capacitados e/ou pessoas que já trilharam trajetórias de sucesso como empreendedores. Por isso, acabam sendo capazes de ajudar novas empresas a superar muitos desafios. Nós do Grupo Solum, por exemplo, somos muito próximos das nossas companhias investidas.


Para entender um pouco melhor sobre a indústria private equity e venture capital, faz sentido voltar no tempo para contar sua história, marcada por uma série de ciclos ao longo do século XX até os dias atuais.


A primeira grande negociação que ficou conhecida aconteceu nos EUA em 1901, quando o banqueiro John Pierpont Morgan (o famoso JP Morgan) comprou a Carnegie Steel Company de Andrew Carnegie, fazendo, em seguida, a fusão com a Federal Steel Company.


No fim dos anos 50, com a assinatura do small business act pelo presidente americano Eisenhower, surge uma primeira geração de negócios financiados por investidores privados. Esse acordo anunciava incentivos para investimentos em empresas iniciantes, permitindo estruturas de dívida e alavancagem, e foi um grande empurrão para formar a indústria de venture capital. Depois disso, muitas outras companhias começaram a fazer investimento alavancados, como a Kohlberg Kravis Roberts & Co, que em 1964 realizou o primeiro leveraged buyout (LBO) dos tempos modernos.


Nos anos 80, esse mercado ganhou ainda mais força, com duas medidas para impulsionar investimentos em empresas de capital fechado, implantadas pelo governo americano entre 1978 e 1979: a redução de impostos sobre ganho de capital (de 48% para 28%) e a liberação dos fundos de pensão para investir nesse segmento. 

É nesse período que surgem os atuais gigantes do setor, como Blackstone, Carlyle, Bain Capital entre outros.


Desde então, aconteceram alguns grandes ciclos: o primeiro ainda nos anos 80 — com o aumento da atividade de aquisições alavancadas por financiamentos; o segundo ao longo da década de 90 — com o boom das empresas de tecnologia ponto.com, até a famosa bolha da internet em 2001, quando muitos desses negócios entraram em colapso.


A crise das empresas ponto.com no início dos anos 2000 acabou de certa forma prejudicando a evolução desse mercado, mas foi momentâneo. Apesar do abalo, alguns sucessos importantes foram registrados, como IPO do PayPal (2002) e os investimentos de capital de risco no Facebook (2004). Os primeiros de uma nova geração de empresas de tecnologia, que se tornaram ícones mundiais e ajudaram a impulsionar o crescimento de investimentos em PE/VC.


A média anual global de investimentos em empresas privadas foi próxima de US$ 4–5 bilhões nos anos 80, quando a maioria dos fundos de capital de risco estavam apenas nos Estados Unidos. Em meados dos anos 90, com a regulamentação para investidores institucionais na Europa, o montante médio passou para US$ 5–10 bilhões por ano. Depois disso, com a revolução da internet, a indústria deu um salto, saindo de R$ 19 bilhões em 1996 para R$ 100 bilhões em 2000, com taxas de retornos entre 30% e 50% em média, impulsionados pela maior liquidez proporcionada por diversos IPOs.


Hoje, temos um mercado maduro mundialmente e o crescimento permanece. Os investimentos de PE/VC já superam US$4 trilhões. De 2010 a 2019, foram alocados cerca de US$ 761 bilhões em mais de 87 mil empresas. Só no ano passado US$257 bilhões foram investidos em aproximadamente 23 mil negócios. Os EUA, um dos países mais ativos nesse mercado, representaram 52% desse montante e quase metade do total de companhias investidas.


Apesar da grande crise causada pelo novo coronavírus, as perspectivas da indústria de private equity e venture capital para os próximos anos seguem positivas. No curto prazo, um período de menos transações é esperado, mas muitos investidores estão debruçados sob oportunidades, analisando potenciais aquisições. Afinal, são nos momentos de menor previsibilidade que surgem grandes oportunidades.


Olhando para frente, pelo momento do ciclo (esforço de recuperação no pós crise) e juros a 2,25% a.a., os investimentos em participações de empresas privadas têm tudo para dar um salto na próxima década, e trazer ótimos resultados para àqueles que souberem selecionar as boas alternativas nessa classe de ativos. Entre os segmentos que mais devem se destacar estão: tecnologia, mídia & entretenimento, produtos de consumo, dispositivos médicos, biotecnologia & ciências da vida, tecnologia limpa, energia e sustentabilidade. Observamos que a pandemia está funcionando como um catalisador de tendências que já vinham sendo exploradas por muitos fundos de PE/VC por todo mundo.


Esperamos que em um futuro próximo cada vez mais pessoas tenham acesso para investir em oportunidades — historicamente restritas à uma minoria afortunada e alocadores profissionais — buscando diversificar patrimônio, potencializar retornos no longo prazo e, principalmente, participar do crescimento de negócios que elas entendem e se identificam.

*Texto publicado em 9 de Julho de 2020.

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