Investimento em PMEs

Onde investir no cenário atual de juros baixos

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10/03/2021 | Rodrigo Fiszman

O mercado brasileiro de investimentos está muito acostumado a obter retornos elevados em operações de baixo risco, por conta do histórico de altas taxas de juros dos títulos públicos. Entretanto, nos últimos anos algumas mudanças estruturais começaram a acontecer no mercado brasileiro que levaram os juros a patamares historicamente baixos, e a perspectiva é que encontremos juros reais de um dígito nos próximos anos. Neste ambiente, as oportunidades de investimento estão fora do mercado de títulos públicos.

O que aconteceu com os juros no Brasil?

Por diversas razões, como o nosso histórico de inflação elevada antes do Plano Real e a crise da dívida dos anos 1980, o patamar de juros no Brasil sempre esteve entre os mais altos do mundo. Por exemplo, em outubro de 1997 o Banco Central chegou a fixar a taxa de juros em 45% ao ano. A primeira vez em que a taxa de juros SELIC fechou abaixo de 10% foi em junho de 2009, e mesmo nesta ocasião estava entre as mais altas do mundo.

Contudo, em outubro de 2016 a taxa Selic, que estava em 14,25% ao ano, iniciou um ciclo de baixa contínua que só se encerrou em agosto de 2020, quando o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) fixou a taxa em 2% ao ano.

O Copom utiliza a taxa de juros dos títulos públicos como um mecanismo de controle da inflação. Ou seja, ao fixar o juro pago pelo governo nos empréstimos que capta, ele influencia a taxa de juros da economia como um todo. Se os juros estão baixos, as pessoas contratam mais empréstimos e consomem mais, as empresas investem mais, pressionando os preços e a inflação para cima. Se estão altos, as pessoas contratam menos empréstimos, consomem menos, as empresas investem menos e os preços caem, derrubando a inflação.

O que aconteceu entre 2016 e 2020 é que os juros caíram sem que a inflação subisse na mesma proporção. Pelo contrário, o IPCA, a inflação medida pelo IBGE, caiu de 6,29% em 2016 para 4,52% em 2020.

Os principais marcos dessa virada nos juros foram  a aprovação em dezembro de 2016 da emenda constitucional que estabeleceu o teto de gastos públicos e a reforma da Previdência. Com o teto de gastos, os gastos públicos estão limitados por 20 anos. Isto reduz a necessidade do governo de se endividar, e por isso ele pode pagar juros menores nos seus títulos.

Isto também derrubou os juros do crédito privado. A taxa DI, que serve de referência para os títulos de renda fixa, caiu de 14,13% ao ano em 19 de outubro de 2016 para 1,90% ao ano em 31 de dezembro de 2020, de acordo com a B3.E mesmo as taxas de juros do crédito a pessoas físicas caíram no período: de acordo com a Anefac, a taxa média do crédito a pessoas físicas caiu de 157,47% ao ano em outubro de 2016 para 91,42% ao ano em dezembro de 2020.

Onde estão as oportunidades?

Neste cenário, a perspectiva de se obter retorno elevado com baixo risco nos títulos públicos indexados à Selic está fora do horizonte, pelo menos no curto prazo. Logo, o investidor precisará equilibrar cada vez mais sua carteira de investimentos entre ativos de baixo risco e baixo retorno e os de alto risco e alto retorno.

Este equilíbrio depende muito do seu perfil de risco. Por exemplo, um investidor de perfil conservador deve alocar seus investimentos preferencialmente em ativos de renda fixa. Já um investidor de perfil agressivo pode assumir mais risco.

Na renda fixa, um caminho interessante é ter uma taxa pré-fixada somada à inflação do período. Em um cenário no qual a inflação do período é superior às taxas de juros nominais, este formato garante um retorno real fixo e a proteção contra a perda de valor do investimento. Taxas pré-fixadas em patamares acima do juro DI ou da Selic também podem ser consideradas opções seguras. 

Há oportunidades em títulos de renda fixa que pagam mais de 100% do CDI, por exemplo. Nestes casos, contudo, é importante tomar cuidado. Um CDB que pague acima do CDI e tenha vencimento em seis meses costuma ser emitido quando o banco tem necessidade imediata de capital, e está disposto a pagar um prêmio maior por este investimento. Por isso, mantenha sua alocação dentro dos limites do FGC e busque avaliar antes os demonstrativos de resultados do banco e o seu rating antes de comprar os títulos.

Um caminho interessante são os títulos de renda fixa emitidos por empresas não financeiras, como as debêntures, LCI (letra de câmbio imobiliário), LCA (letra de câmbio do agronegócio), CRA (certificado de recebíveis do agronegócio) e CRI (certificado de recebível imobiliário). Neste caso, há oportunidades de retornos interessantes, uma vez que a empresa pode pagar uma taxa de juros mais baixa que a do crédito empresarial bancário e mais alta que o CDI.

A renda variável também tem oportunidades interessantes. Mesmo com a crise da pandemia, o Brasil teve 27 aberturas de capital na bolsa, número que só fica atrás de 2007, quando foram realizados 64 IPOs no Brasil. Destas, destaca-se a Locaweb, cujo valor subiu mais de 200% após a abertura de capital em fevereiro. 

Oportunidades em investimentos alternativos

Também há oportunidades no mercado de investimentos alternativos, ou seja, investimento em empresas que não estão na bolsa. De acordo com a Anbima, os fundos de investimento em participações, que investem em participação societária de empresas, captaram R$ 12,6 bilhões em 2020. 

Estudo da Bain para o mercado norte-americano estima que as oportunidades de investimento em participações de empresas (private equity) é 4,5 vezes maior que em ações de empresas listadas. No mercado de títulos de dívida, as oportunidades são 2,5 vezes maiores. E em investimentos imobiliários, elas são 32 vezes maiores.

No Brasil podemos estimar que essas oportunidades são ainda maiores, considerando que o nosso mercado de capitais ainda é pequeno. No interior do Brasil, ou mesmo no entorno das grandes capitais há várias empresas que são fortes, saudáveis financeiramente e já foram testadas e validadas pelo mercado, com um imenso potencial de crescimento.

Por meio de plataformas como a beegin.invest, o investidor pode investir neste tipo de empresa, e obter retornos acima do mercado com risco baixo. Justamente porque estamos falando de empresas maduras e estabelecidas.

No curso Além da Bolsa, o investidor pode aprender como explorar essas oportunidades, como avaliar as empresas e acessar este mercado de investimentos alternativos

Crédito da foto: Imagem de Gerd Altmann por Pixabay

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