Tecnologia

Blockchain, só use se você precisa construir confiança!

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26/06/2020 | Vanessa Almeida (Gerente da iniciativa blockchain no BNDES e Co-Founder no BNDES BlockchainLab) )

 

A tecnologia Blockchain vem chamando a atenção do mundo dos negócios desde 2016, quando a The Economist a chamou de máquina da confiança em sua capa. Desde então a tecnologia evoluiu, o número de projetos usando Blockchain aumentou, e a metáfora da maquina da confiança continua a mesma.  

Se você está avaliando o uso de Blockchain, a pergunta chave é: Preciso construir confiança em algum nível com os envolvidos (usuários, clientes, partes de transações, etc)? Se sim, siga em frente estudando soluções e opções de arquitetura de sistema, se não, talvez você realmente não precise de Blockchain.  

A tecnologia pode ser utilizada para viabilizar transações de ativos e armazenar os dados gerados de forma distribuída, sem a necessidade de um intermediário confiável para gerenciar as informações. As aplicações mais comuns envolvem transferências de dinheiro, valores mobiliários e informações, bem como registros de identidade ou propriedade de objetos, como quadros, imóveis, etc.  

Blockchain é o nome que estamos usando para designar de forma genérica as Distributed Ledger Tecnhologies (DLT), formato em que as informações são armazenadas de forma distribuída em computadores que fazem parte de uma rede ponto a ponto. Embora nem toda DLT seja uma Blockchain, o nome Blockchain veio para ficar. Dessa forma, vamos usá-lo nesse texto e nos próximos como sinônimo de DLT. 

É importante esclarecer que existem diferentes tipos de rede Blockchain e que esses diferentes tipos estão sendo usados em cenários de uso bastante distintos. Os tipos mais conhecidos são as redes Blockchain públicas, as permissionadas e as híbridas.  


A Blockchain pública – ou não permissionada – é aquela que permite qualquer um juntar-se a rede para escrever e ler informações. Nesse tipo de Blockchain todos os envolvidos têm uma cópia dos dados armazenados. Os casos mais conhecidos de Blockchain pública são as redes Bitcoin e Ethereum.  

A Blockchain híbrida – ou permissionada pública – permite que apenas alguns participantes da rede escrevam, mas que qualquer um junte-se a rede para leitura. Um cenário de uso adequado para esse tipo de Blockchain são as redes de governo, onde apenas algumas instituições podem escrever, mas onde todas as transações podem ser verificadas pelo público.  

O terceiro tipo de Blockchain é a permissionada – ou privada – onde apenas instituições autorizadas podem escrever e ler os dados armazenados na rede. A maior parte dos projetos que envolvem empresas tradicionais utilizam uma rede Blockchain permissionada. Mesmo nesse cenário, onde a rede não é aberta, existe uma mudança de paradigma. Transações que ocorriam dentro dos muros de uma empresa, passam a acontecer num espaço que integra diferentes empresas, normalmente organizadas através de um consórcio. 

Vamos explorar os cenários de uso para Blockchains privadas, onde um gestor precisa decidir se deve ou não investir nessa tecnologia. O primeiro ponto que gostaria de enfatizar é que a tecnologia não deve ser um objetivo em si. Para investir, o gestor precisa estar convencido que a Blockchain pode ser a melhor solução para o problema de negócio que quer resolver.  

Existem diversos evangelistas da tecnologia que defendem que ela pode ser usada para tudo, mas antes de entrar no hype lembre-se que toda tecnologia vem com custos de desenvolvimento e manutenção. Além disso, tecnologias mais recentes carecem de mão de obra disponível no mercado para construir o projeto que você está imaginando. Então, é importante se perguntar: vale a pena? 

Os cenários de uso mais promissores para as Blockchains privadas são aqueles que envolvem fluxos de informações entre empresas, nos quais a empresa A não confia totalmente na informação prestada pela empresa B. Esse é um cenário comum em cadeias de valor, onde informações prestadas por uma empresa são checadas novamente antes de serem inseridas nos sistemas da empresa que recebeu a informação. 

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