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out 29, 2021
O impacto da diversidade no venture capital
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O tema da diversidade tem ganhado relevância crescente no mundo corporativo, e se tornado um pilar cada vez mais relevante na estratégia das organizações. Mais ainda, ela está se tornando um diferencial estratégico para os comitês de investimento das gestoras de venture capital.

Um estudo da HEC Paris Business School e da MVision Private Equity Advisers, por exemplo, apontou que os fundos de private equity com a maior diversidade de gênero em sua liderança executiva têm 21% maior probabilidade de superar os resultados de seus concorrentes, e 27% mais probabilidade de criar valor substancial aos seus investidores[1].

Mais especificamente, o estudo apontou que as empresas com maior diversidade de gênero no comando tiveram taxas internas de retorno 12% acima daquelas que só tinham homens no comando. Este foi um dos primeiros e mais abrangentes estudos sobre o impacto da diversidade na indústria de investimentos.

O gênero é apenas uma das frentes. Quando falamos em diversidade, falamos em trazer à mesa diferentes experiências de vida, visões de mundo e perspectivas na hora de construir uma tese de investimento ou avaliar um deal. Afinal, diante das mesmas premissas, duas pessoas igualmente inteligentes e capazes, mas com histórias de vida diferentes, podem chegar a conclusões diferentes.

Por isso é fundamental trazer à mesa em um comitê de investimento diferentes olhares. Não apenas nos temas comumente associados ao guarda chuva da diversidade, como gênero, etnia e orientação sexual, mas expandir este horizonte para abarcar o leque mais amplo possível de visões de mundo.

Muitas vezes, mesmo em grupos que apresentam uma aparente diversidade, é evidente que todos os líderes compartilham das mesmas crenças, opiniões e visões sobre tópicos relevantes na avaliação de um deal. Quanto podemos afirmar que esses grupos são realmente diversos? Quanto ele traz perspectivas diferentes sobre os temas em discussão?

Esta diversidade de perspectivas ajuda a corrigir vieses de confirmação, identificar riscos e potencial de oportunidades que podem escapar a grupos com maior unidade de pensamento. Isto pode levar a erros de estratégia.

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Tangibilizando os ganhos da diversidade

Para tangibilizar os ganhos de um comitê de investimento com diversidade de visões de mundo: imagine que uma gestora ou um pool de investidores estão avaliando um deal relacionado a uma empresa de energia elétrica. Se no comitê houver alguém com experiência neste mercado, ele terá muito a dizer sobre o potencial de retorno deste negócio considerando o cenário atual.

Contudo, neste mesmo comitê pessoas com outras vivências podem trazer informações e insights que não são óbvios para quem está imerso no mercado de energia específico. Por exemplo, alguém com experiência em vendas consultivas pode identificar gargalos na estratégia comercial da potencial investida, o que pode impactar as perspectivas de ganhos futuros. Outra está envolvida em um debate ambiental ou regulatório que pode afetar o cenário futuro daquele segmento de mercado, e traz esta perspectiva à discussão.

O resultado desta interação tende a ser uma avaliação mais abrangente e realista das perspectivas do deal, e levará o comitê a tomar decisões com mais segurança. Comitês menos diversos tendem a ter vieses de avaliação, como superestimar os modelos de negócio escaláveis, ou desconsiderar mudanças de comportamento em determinados perfis de consumidor.

Em uma decisão de investimentos, um viés como este pode ser fatal para a rentabilidade. O comitê de investimentos pode ignorar uma oportunidade por falta de afinidade com o público alvo de uma empresa, ou pode ignorar riscos subestimados pelos empreendedores em determinados mercados.

No fim do dia, quanto maior a diversidade de um comitê de investimentos, mais abrangente é a sua capacidade de analisar os deals propostos e mais assertiva é a decisão sobre os termos do negócio.

Referências

[1] OWEN, Elijah. Female-Inclusive Investment Committees Are Outperforming Their Peers. Chief Investment Officer: 2 de julho de 2019. Disponível em https://www.ai-cio.com/news/female-inclusive-investment-committees-outperforming-peers/ Acessado em 16 de setembro de 2021.

O artigo apresenta a visão do colunista sobre a questão abordada, e não reflete a opinião da beegin, do Grupo Solum ou qualquer uma de suas empresas. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre o mercado de investimentos alternativos e suas tendências.

Por Humberto Matsuda

Humberto Matsuda é sócio da Matsuda Invest. Com mais de 15 anos de experiência em venture capital e investimentos em participações, foi um dos fundadores da Performa Investimentos, onde figurou como sócio-gestor por mais de dez anos. Em 2014, tornou-se membro do conselho da ABVCAP e em 2015 da Anjos do Brasil e do Dínamo. Em 2019, fundou a Matsuda Invest. Além disso, atua como membro do Conselho da Climate Ventures e representante externo do comitê de investimentos do Grupo Ultra.

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