Logo da beegin
seu portal de investimentos alternativos

Preencha seus dados para acessar o conteúdo!

Enviando seus dados, você também receberá por e-mail conteúdos exclusivos em primeira mão.

Ao enviar, você estará concordando com os Termos de Uso e a Política de Privacidade da beegin.

out 6, 2021
Valuation de startup na prática
Compartilhe

É sempre muito difícil atribuir valor a algo, valor, diferente de preço é algo subjetivo. Algo que tem valor pra mim, pode não ter pra você e não é diferente com Startups. Mas o que queremos saber aqui é qual o valor que um negócio tem para o mercado, e o termo que define isso é valuation. Numa tradução livre, valuation é ”avaliação”. Na prática é o processo analítico de determinação do valor atual (ou projetado) de um ativo ou empresa. Mas quais são os critérios usados para se avaliar um negócio?

Esse é o grande cerne da questão. Numa consulta rápida em sites de venture capital e consultorias você pode encontrar alguns métodos, mas eles são apenas balizadores. Muito do que se faz, independente do método, se baseia em projeções, suposições, com um grande grau de incerteza, pela própria natureza do mercado e do mundo da inovação.

Do ponto de vista prático, quando um investidor olha uma startup ou negócio, o que ele quer saber é quanto o investimento feito hoje vai valer amanhã e o que determina esses ganhos futuros é quantas vezes o capital vai se multiplicar.

Considerando que o que ele está comprando é uma “ação” ou “participação acionária” no negócio, ele quer saber por quanto o pedaço que ele comprou vai poder ser vendido amanhã.  É um jogo de “estica e puxa”, onde o empreendedor que vender esse pedaço pelo maior valor possível e o investidor quer puxar o valor pra baixo pra aumentar o ganho futuro. Seja em que lado você estiver nesse jogo é preciso entender quais são os principais balizadores usados pra chegar nesse número.

Na fase de captação de investimento anjo ou Seed, considerando que as Startups são empresas jovens, é muito pouco provável que você encontre “ativos” para entender o tamanho daquela operação ou histórico de informações financeiras dos últimos 5 anos. Já nos casos em que a Startup já está operando é possível usar estes indicadores (receita, taxa de crescimento, EBTDA, número de clientes, entre outros), mas a estes números são aplicados Múltiplos, que são a razão de crescimento esperada / projetada para o negócio.

E pra saber qual é o múltiplo certo, a primeira etapa é entender qual mercado, tipo de negócio e empresas similares podem ser usadas como referência. Se uma empresa opera em modelo Saas (Software as a Service), por exemplo , usa-se a taxa de crescimento de empresas com o mesmo perfil  ou que operam o mesmo modelo de negócio. Esta taxa é o múltiplo (que pode ser 10x, 15x).

Thomas Edison

 A lógica óbvia é que os investidores procuram um investimento onde eles vão pagar um valor menor do que o mercado vai estar disposto a pagar no futuro.  Pro empreendedor o importante é o custo da participação acionária que vai ser cedida ao investidor versus o valor aportado para fazer o negócio girar e crescer. Aqui estamos falando tanto do aporte financeiro quanto do smart money, capital intelectual que os novos sócios agregam ao negócio.

O aporte financeiro tem que ser suficiente para suportar o negócio e impulsionar as iniciativas que vão sustentar o múltiplo de crescimento ou ROI esperado. De forma bem simplificada, se uma startup está cedendo 25% de participação por R$ 1 milhão, esse R$ 1 milhão, tem que ser suficiente para pra fazer ela chegar na próxima rodada valendo pelo menos os R$ 4 milhões prometidos.

Cuidado com os múltiplos superestimados no valuation

 A questão é que a taxa de crescimento do mercado ou do concorrente não garantem que aquela startup avaliada vai ser bem-sucedida. É aí que entram os fatores subjetivos pra formar nossa análise. Em qual mercado esse negócio está inserido? Existe espaço pra um novo entrante? Temos uma solução inovadora? Essa solução realmente responde a uma demanda ou problema não solucionado? A startup está estruturada pra atender essa demanda?  O modelo e negócios é consistente? A análise leva em conta vários fatores e de acordo com o mercado, tese de investimento e estágio da startup vamos atribuindo uma pontuação para formar um “score” do projeto.

Construir um negócio de sucesso está longe de ser fácil. Por isso, um fator fundamental nessa análise é o time. Tão ou mais importantes do que a ideia é saber quem são os founders e quem é a equipe que vai  trabalhar pra levar o ideia para o próximo estágio. Um bom time tem que ser capaz de responder rápido às demandas e pivotar se for o caso. O que queremos olhar aqui é potencial. Velocidade de resposta e entrega são fundamentais para garantir o futuro do negócio.

Como o mercado superaquecido, o valor das startups não para de subir. Projetos embrionários têm aparecido com valores super estimados. Como a prática é olhar para o lado para saber quanto valem negócios semelhantes, um projeto supervalorizado puxa o outro gerando dúvida, inclusive, se não estamos no meio de uma bolha. Pra não cair em armadilhas o empreendedor tem que ter consciência que valuation é uma promessa de futuro, e que se a operação não entregar o que estão prometendo, numa próxima rodada ele não vai conseguir captar ou vai ter que sacrificar o cap table. Transparência é a palavra-chave. Projeções sólidas, com base em cenários realistas, vão deixar o investidor mais seguro pra fazer a aposta junto com a startup.

Mas  se o valuation estiver alto significa que não vale a pena investir? Não necessariamente. Aqui vou usar a lógica da economia de mercado. Se eu tenho um comprador que está disposto a comprar um ativo amanhã, por um preço maior do que eu paguei hoje, eu vou pegar o meu capital que está parado ou com baixo rendimento e usar para comprar esse ativo hoje e vender amanhã. Vou usar todas as minhas análises pra entender se este ativo que está “caro” hoje pode estar “mais caro” amanhã.

Por Juliana Noronha

Juliana Noronha é executiva em Estratégia e Inovação pelo MIT Sloan Executive Education, e construiu sua carreira como Empreendedora, Executiva em Empresas de Tecnologia (entre elas a TOTVS), Marketing e Merchandise, e Educação. Com sua inquietação e curiosidade entrou de cabeça no empreendedorismo de inovação atuando como Conselheira e Investidora Anjo em Startups. Startups investidas*: 100OpenStartups ; 3,2,1 Beauty; 7waves; Holistix

Related Post

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *