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jul 22, 2021
Como é feita a avaliação de empresas para invesimento
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Escolher uma empresa privada para investir não é trivial. Diferente de uma empresa listada em bolsa, as informações necessárias para avaliar o potencial de um negócio são de acesso restrito, muitas vezes não possuem padrão ou modelos de negócios comparáveis no mercado. Por isso, esta avaliação de empresas envolve um processo detalhado de análise, em diversas etapas.

Ao compreender como este processo de análise é realizado, o investidor pode fazer a sua própria avaliação sobre as oportunidades de investimento, melhorando sua relação de risco e retorno no longo prazo.

1. Análise setorial

O primeiro passo é sempre analisar os diferentes setores da economia, procurando identificar as oportunidades disponíveis em linha com a nossa tese de investimento. No caso da Solum Capital, por exemplo, analisamos oportunidades em mercados pulverizados, defasados ou em transformação.

Mas essa tese de investimento ainda é bastante ampla e precisa ser mais assertiva. Por isso, nesta etapa do processo, procuramos delimitar um pouco mais quais são esses mercados. Por exemplo, um mercado em transformação seria o de serviços para pets, impactado pela importância crescente dos animais de estimação na vida das pessoas.

Mais do que delimitar os setores, a análise setorial permite avaliar as macrotendências desses setores, como taxas de crescimento, produtos com maior ou menor potencial, perfil das empresas que atuam neste mercado e outras informações relevantes.

Este estudo nos permite focar mais nossa prospecção de oportunidades. Mantendo o exemplo do mercado pet, podemos pensar em segmentos e modelos de negócios específicos, como indústria, atacado, varejo, prestação de serviços, se estão mais concentradas em alimentos, turismo pet friendly, higiene ou outros.

Desta forma, o nosso horizonte de prospecção de oportunidades se afunila para grupos específicos de empresas, inseridos nas cadeias, produtos e serviços que apresentam maior performance.

2. Identificação das empresas alvo

Uma vez mapeadas onde estão as oportunidades, procuramos as empresas que estão inseridas nestes mercados de interesse. Esta procura pode acontecer de maneira proativa, com pesquisa de quais são as empresas atuantes em cada mercado ou segmento e buscando uma aproximação direta. Bem como de maneira reativa, estando aberto a falar com empreendedores que nos acessam diretamente, através de parceiros, assessores ou até mesmo via rede relacionamento de investidores.

Desta forma, mapeamos as empresas que atendem à nossa tese de investimento e estão buscando capital para crescer.

3. Análise econômica da empresa

Uma vez escolhida a empresa, avaliamos sua situação atual e seu potencial de crescimento. Nesta hora é fundamental analisar os indicadores econômicos e operacionais do negócio.

Alguns indicadores que podem ser analisados:

  • Faturamento: mostra o crescimento e tração da empresa, e o quanto seus produtos e serviços são escaláveis;
  • Lifetime value: é uma métrica que indica o ciclo de vida de um cliente em relação a um determinado produto ou serviço. Ele considera tanto o valor que um cliente gasta com o produto ou serviço quanto o tempo que dura esta relação. Um maior lifetime value indica tanto uma relação mais duradoura entre cliente e empresa quanto um maior ganho potencial nesta relação.
  • CAC: O Custo de Aquisição de Clientes (CAC) indica se o investimento da empresa para atrair novos clientes é saudável. Um CAC muito próximo ou superior ao lifetime value é um sinal de que a empresa não está entregando valor ao seu público-alvo.
  • Margem EBITDA: indica o quanto a empresa gera a partir de sua atividade principal, sem considerar alavancagem operacional, ou, qual o percentual da receita da empresa se converte em resultado antes de cobrança de IR, juros, depreciação e amortização. Quanto maior melhor, e serve como um dos principais parâmetros para avaliar a capacidade de crescimento e geração de caixa líquido da empresa;
  • Retorno sobre patrimônio líquido: esse indicador faz uma correlação entre lucro líquido e patrimônio líquido, e permite avaliar a capacidade de geração de resultados de uma empresa, o quanto o negócio gerou sobre o capital integralizado pelos acionistas ao longo do tempo;
  • Dívida / Patrimônio Líquido: Indica a relação entre dívida e patrimônio, que permite avaliar o grau de endividamento, a alavancagem da empresa. Uma empresa mais alavancada, ou endividada, terá mais dificuldades de captar mais recursos para acelerar o seu crescimento por meio de investimentos, por exemplo;

Uma empresa só passa para a próxima fase se os indicadores econômicos e setoriais indicarem uma situação saudável. Com isso, o risco do investidor no deal pode ser reduzido. Mas, além dos indicadores, é importante uma última fase de investigação.

4. Due diligence

A due diligence é um processo de investigação sobre a empresa. Nesta etapa, para além da análise econômica e setorial, levantamos os processos movidos contra a empresa na Justiça, as certidões negativas dos diversos órgãos fiscalizadores e outros aspectos jurídicos, fiscais, previdenciários ou mesmo operacionais.

O objetivo é identificar se há distorções entre as informações fornecidas pela empresa e os documentos oficiais. Por exemplo, um determinado contencioso fiscal ou trabalhista relevante pode resultar, caso a empresa perca na Justiça, em um custo que pode impactar o seu fluxo de caixa. Ter conhecimento disso, por exemplo, ajuda a chegar a uma avaliação mais precisa da oportunidade.

5. Valuation

Uma vez levantadas todas as informações e traçadas as projeções de crescimento da empresa, é definido um valor de mercado, sobre o qual será baseada a captação de investimentos.

Há vários métodos pelos quais se calcula o valor de mercado de uma empresa. O fundamental aqui, é que empreendedor e investidor líder estejam de acordo tanto em relação à metodologia quanto ao cálculo final, uma vez que dele sairá o valor a ser investido e a participação a ser oferecida no negócio.

Uma captação de investimento, seja pelo veículo de investimento que for (fundo de participações, pool de investidores, equity crowdfunding ou outros) só começa quando há acordo em relação ao valor da empresa. 

Por isso, quando você for convidado a participar de uma rodada de investimentos, avalie se as etapas acima foram seguidas. Veja se o valuation faz sentido, se os indicadores econômicos da empresa estão consistentes, se o cenário de mercado é coerente.

Nós, do Grupo Solum, somos muito criteriosos nesse processo, e nenhuma empresa recebe investimento, seja dos fundos da Solum Capital, seja na plataforma beegin.invest, sem uma avaliação profunda da oportunidade e de seu potencial.

Por Luís Henrique Almeida

Sócio e Head de Análise do Grupo Solum, responsável pela análise dos investimentos em empresas. Conta com mais de 15 anos de experiência profissional em Private Equity, Venture Capital, M&A Advisory e Consultoria Estratégica. Trajetória internacional, com trabalhos em diferentes setores no Brasil, Inglaterra, Itália, México e Guatemala. Bacharel em Administração de Empresas (FGV-EAESP), Educação Executiva (Insper) e Extensão (Barcelona).

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