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jul 6, 2021
Como os agentes autônomos de investimento ajudaram no desenvolvimento do mercado de capitais
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O crescimento recente do mercado de capitais brasileiro tem tido um impulso muito forte pela transformação do modelo de negócio dos agentes de mercado. Da estrutura matricial verticalizada que caracterizou os grandes bancos múltiplos, vimos nascer grandes plataformas de investimentos, que mobilizam em torno de si uma comunidade de agentes autônomos de investimento que são peça essencial na capilarização da distribuição destes ativos junto aos clientes finais.

De certa forma, o movimento de organizações como a XP no sentido de mobilizar uma rede de agentes autônomos de investimento promoveu no setor financeiro disrupção similar à de plataformas como Uber e AirBnB em seus mercados. Por isso, o agente autônomo de investimento se tornou um ativo precioso para a expansão das plataformas abertas que estão disputando a liderança do mercado – e prova disso foram as recentes disputas entre os grandes players por longos acordos com escritórios relevantes.

Um agente autônomo de investimento é uma pessoa física autorizada a distribuir valores mobiliários. Para isso, ele precisa de registro na CVM (Comissão de Valores Mobiliários). O credenciamento é realizado por meio da Ancord (Associação Nacional das Corretoras e Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários, Câmbio e Mercadorias), por meio de um exame de certificação.

A atividade é regulada pela Instrução CVM 497. Pelas regras, o agente autônomo pode prospectar clientes, executar ordens de investimento em nome do cliente e oferecer orientação sobre os produtos de investimento oferecidos pela instituição parceira. Vale salientar que a decisão final sobre investimentos deve sempre ser do cliente, dado que a licença do AAI não permite a gestão dos ativos.

Por outro lado, nas regras atuais o agente autônomo é obrigado a manter exclusividade com uma única instituição para as operações em Bolsa de Valores. Isto tem esquentado a disputa por agentes autônomos entre as plataformas. Recentemente a EQI Investimentos, um escritório de agentes autônomos que administrava R$ 9,5 bilhões em investimentos, rompeu seu contrato com a XP e fechou com o BTG Pactual. Ao mesmo tempo, deu início ao processo para se tornar ela própria uma corretora, contando com o suporte e participação minoritária do BTG.

A EQI é um exemplo de negócio que surgiu e se estruturou neste ambiente aberto. Ao operar como plataforma, tendo o agente autônomo como parceiro, corretoras como a XP permitiram que esses novos negócios florescessem. Só a XP conta com  mais de 7 mil agentes autônomos credenciados. Alguns deles, como a Monte Bravo Investimentos, tem sob assessoria mais de R$ 16 bilhões em ativos.

Thomas Edison

Este ambiente pode ter um impulso ainda maior com as mudanças da ICVM 497. A Assessoria de Análise Econômica e Gestão de Riscos da CVM já realizou um estudo sobre o impacto regulatório da alteração do regime atual  de exclusividade do agente autônomo. O estudo defende um relaxamento das normas atuais, permitindo que um agente autônomo esteja vinculado a várias plataformas diferentes, desde que cumpra certos requisitos.

A revisão da ICVM 497, em paralelo com outras revisões regulatórias em andamento, como a ICVM 588 (equity crowdfunding) e a regulamentação das companhias securitizadoras, tende a ampliar o potencial de atuação dos agentes autônomos de investimento, permitindo que eles possam oferecer novos produtos e serviços não cobertos pelos seus parceiros atuais.

Outro fator que pode empoderar ainda mais os agentes autônomos é o avanço do open finance aplicado aos produtos de investimentos. A integração de carteiras de investimento distribuídas em diferentes plataformas via APIs tornará o assessor de investimentos ainda mais estratégico para o cliente. É ele quem fará a curadoria dos investimentos disponíveis nas diferentes plataformas e servirá de guia para o investidor em meio à pulverização de opções.

Ao mesmo tempo, a tecnologia torna o ambiente ainda mais competitivo, deslocando o poder de decisão das corretoras e bancos para os investidores e agentes autônomos de investimento. Novos players, focados em produtos de investimento nichados, poderão contar com os agentes autônomos como canal de crescimento.

Esta combinação de tendências tecnológicas, regulatórias e de estrutura de negócios  pode ajudar o mercado de capitais brasileiro a atingir um novo patamar. O que parece ser um ponto de chegada, com os indicadores atuais, pode se tornar na verdade um ponto de partida para um novo ciclo de prosperidade, impulsionado pelos agentes autônomos de investimento.

Publicado originalmente no Valor Econômico

Por Rodrigo Fiszman

CEO e sócio fundador do Grupo Solum. Membro dos conselhos da Solum, Beegin, Proseek e Hillel Rio. Ex sócio da XP, onde liderou a estruturação da área de Gestão de Patrimônio.

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