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maio 13, 2021
As grandes empresas de hoje já foram pequenas e medias
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As empresas estão redescobrindo o caminho da bolsa de valores no Brasil. Foram 18 IPOs de janeiro a abril de 2021, e 25 no decorrer de 2020. Várias delas, que hoje são grandes e chegam a captar mais de R$1 bilhão ao abrirem capital, já foram pequenas e médias, e precisaram de acesso a capital para crescer.

Apostar em uma empresa que já atingiu tamanho e maturidade de negócios para ser listada na bolsa é reconhecê-la ao final de uma jornada. Quando os fundadores e suas equipes já atravessaram um longo período de luta, enfrentando tanto as dores do crescimento quanto os desafios de se fazer negócios no Brasil, o mercado a acolhe e diz “eu acredito”.

Não se trata de um julgamento. Cada investidor tem a sua tese de investimento. Investir em uma empresa grande, já madura e consolidada, tem tanto valor quanto apoiar um negócio com potencial de crescimento, mas com porte menor e fora da bolsa de valores.

Entretanto, do ponto de vista dos empreendedores, é como se o acesso ao capital financeiro chegasse após o crescimento do negócio, e não antes, quando ele é mais necessário. Enquanto um negócio não se torna atrativo para abrir capital, ele depende de suas próprias forças para crescer e amadurecer.

Esta tem sido a história de várias das empresas que hoje estão entre as mais negociadas na bolsa de valores. AmBev, Lojas Americanas, B2W, Fleury, Cyrela e tantas outras já foram pequenas e médias empresas no passado. Hoje estão entre as 84 empresas listadas no Ibovespa, índice que reúne as ações mais negociadas na B3.

O Brasil é um país pródigo em pequenas e médias empresas de alto crescimento, chamadas de scale-ups. No estudo realizado pela Endeavor com a Neoway, descobrimos que elas estão presentes em todas as regiões do Brasil, e em 2.806 municípios. Também estão espalhadas nos diferentes setores econômicos. A maioria delas (57,33%) tem mais de dez anos de existência, e elas contratam 100 vezes mais funcionários que a média nacional.

Thomas Edison

Estas empresas estão em um vácuo de acesso a capital. As grandes podem acessar a bolsa de valores ou grandes fundos de private equity, e as startups contam com um ecossistema de investimento que abarca os venture capital e investidores anjo. Já as scale-ups são pequenas demais para acessar os investidores interessados nas grandes e seu modelo de negócios é menos charmoso aos que olham para as startups.

Contudo, o potencial de retorno dessas pequenas e médias empresas é maior. Como mentor da Endeavor há mais de uma década e como investidor, tenho conhecido negócios que já crescem de forma sustentável mesmo nos tempos de crise que estamos vivendo. E fazem isso sem acesso a capital, financiando sua expansão utilizando seu próprio fluxo de caixa.

Por isso, o investidor que construir ou participar de veículos de investimento capazes de chegar a essas empresas pode participar de um ciclo de prosperidade mais intenso que o vivido recentemente pelas 3,6 milhões de pessoas físicas que passaram a operar na bolsa de valores no Brasil.

Afinal, poderão participar do processo que torná-las-á maduras para abrir o capital. Desta forma, esses investidores já terão o seu retorno após sua chegada à bolsa, quando a maioria estará começando a prestar atenção nelas.

Crédito da foto: Divulgação B3

O artigo apresenta a visão do colunista sobre a questão abordada, e não reflete a opinião da beegin, do Grupo Solum ou qualquer uma de suas empresas. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre o mercado de investimentos alternativos e suas tendências.

Por Donato Ramos

Donato Ramos é Sócio da AdVentures, uma Brandtech e Ventures Partner. Foi sócio Diretor do Grupo Uni.co e Diretor Executivo da Imaginarium de 2015 a 2021, além de sócio da Squadra Investimentos de 2012 a 2021. Foi Sócio Diretor da Rede Mundo Verde, atuou no Banco Modal e na Embelleze.

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