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maio 26, 2021
Investir em pequenas empresas é bom para o país
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Por que investir em pequenas e médias empresas? Mais do que uma crença pessoal, décadas de conhecimento sobre desenvolvimento econômico mostram que a combinação adequada entre capital financeiro e empreendedorismo traz dinamismo à economia e gera novas oportunidades para as pessoas. Ou seja, garantir que empreendedores arrojados tenham acesso a capitais é bom para o país como um todo.

Dois dos ganhadores do Prêmio Nobel de Economia de 2019, Abhijit Banerjee e Esther Duflo, mostraram que um dos desafios para a superação da pobreza é dar acesso a crédito e capitais aos empreendedores. Os dois economistas concluem em seus estudos que, sem acesso a capitais, pequenos negócios só conseguem crescer se apresentarem taxas de retorno extremamente elevadas[1].

Para quem acompanha a trajetória de empreendedores Brasil afora, como eu, a descoberta dos ganhadores do Prêmio Nobel não é exatamente uma novidade. Escassez de capitais é uma realidade que afeta as pequenas e médias empresas em todo o país.

Para entender melhor este desafio, precisamos entender, em primeiro lugar, que há diferentes perfis de pequenas e médias empresas. Um microempreendedor, cujo projeto empresarial é na maior parte das vezes voltado à própria subsistência, tem necessidades diferentes de uma startup, que opera em ambiente de elevada incerteza e é intensiva em inovação. Há ainda os empreendedores de alto desempenho, ou as scale-up, como chamamos na Endeavor, os negócios maduros que crescem de forma acelerada.

A experiência no desenvolvimento do ecossistema de startups mostra que muitas vezes o problema não é a falta de capital, mas de acesso. Com regulação e processos nos quais os investidores possam acessar e conhecer os projetos, o fluxo de capitais acontece e os negócios se desenvolvem. Isto explica porque as startups receberam US$ 3,3 bilhões em investimentos em 2020, de acordo com o Distrito[2]. Grande parte deste resultado se deve ao surgimento de fundos e gestores de investimento com teses voltadas para essas empresas.

Podemos ter impactos igualmente interessantes no país se o mesmo processo acontecer com as empresas de alto desempenho, aquelas que crescem ao menos 20% ao ano por pelo menos três anos. De acordo com o IBGE, elas representam 1% do total de CNPJs do país, mas recrutam 9,1% dos trabalhadores, segundo a estatística mais recente[3]. A remuneração média dessas empresas foi de 2,7 salários mínimos, enquanto a média salarial estava em 2,5 salários mínimos[4].

E o caminho para isso passa por um movimento dos investidores. Quanto mais veículos de investimentos assumirem a tese de aportar em empresas pequenas e médias de alto desempenho, mais canais tendem a se desenvolver para acessar esses projetos.

Essas empresas já entregam, em condições desafiadoras de mercado, performance acima da média. Várias delas, como mencionei em meu artigo anterior, têm potencial para se tornarem grandes empresas. Isto já as torna opções interessantes de investimento. Também já existem instrumentos legais para viabilizar esse investimento, vários deles explorados no mercado atual de private equity. O nosso desafio é construir os veículos de investimentos adequados para conectar investidores e empreendedores.

Notas

[1] BANERJEE, Abhijit, DUFLO, Esther. Poor Economics. Boston, PublicAffairs, 2011

[2] DISTRITO. Roadmap of Venture Capital. Disponível em https://distrito.me/wp-content/uploads/2021/04/VentureCapitalDistrito.pdf Acessado em 24 de maio de 2021

[3] IBGE. Demografia das Empresas: em 2018, taxa de sobrevivência das empresas foi de 84,1%. 22 de outubro de 2020. Disponível em https://agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/29206-demografia-das-empresas-em-2018-taxa-de-sobrevivencia-das-empresas-foi-de-84-1 cessado em 24 de maio de 2021

[4] IBGE. Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua – PNAD Contínua: Séries históricas. Disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html?=&t=series-historicas. Acessado em 24 de maio de 2021

Por Donato Ramos

Donato Ramos é Sócio Diretor do Grupo Uni.co, CEO Imaginarium, e sócio da Squadra Investimentos. É investidor de participações em empresas privadas desde 2009. Mentor Endeavor há 13 anos, foi premiado 4 vezes como Mentor do Ano. Foi Sócio Diretor da Rede Mundo Verde entre 2009 e 2012, e Commercial Corporate and Investment Banking Officer no Banco Modal de 2008 a 2009.

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