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jun 30, 2021
Investidora Anjo: minha jornada
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O universo das Startups provoca um grande fascínio, mas para jogar este jogo tive que me reeducar. Algumas pessoas têm me perguntado como entrei nesse mundo. Foi um movimento de alguém que sempre amou novidade e desafio. Encontrei isso, nessa jornada de aprendizado e aprimoramento. Nos últimos anos mergulhei fundo no Ecossistema de Inovação, esse universo onde todos falam com todos em busca de crescimento. Apaixonei-me por ele e resolvi me tornar Investidora Anjo.

As definições sobre que empresas podem ser consideradas Startups, nem sempre são unânimes. Mas de forma geral são empresas com modelo de negócio inovador, escalável e que partem do princípio de que os mercados estão sempre em transformação, cheios de incerteza, mas também cheios de oportunidade. Sob a perspectiva do Investidor, uma boa Startup precisa resolver problemas REAIS, se CONECTAR com clientes e mercados, caso contrário não chegam do outro lado, não alcançam o sucesso, e consequentemente, não geram retorno.

Como criei minha tese de investimento como investidora anjo

Nesse mundo pude conhecer os diversos perfis de Startups, seus diversos momentos, e as diferentes formas de investir. É muito valioso trocar informações sobre os projetos e entender quais deles têm fit com seus objetivos, criando sua tese de investimento.

Dependendo do perfil do investidor esta tese pode não ter necessariamente o foco no ganho financeiro. Um investidor anjo pode alocar os seus recursos pensando no propósito e impacto que o negócio pode gerar (empreendimento com foco em diversidade, negócios liderados por mulheres, ESG). Outro pode avaliar o investimento como uma oportunidade de diversificação.

Um Venture Capital corporativo pode estar mais interessado ​​em ter acesso antecipado à inovação da startup do que se beneficiar de seu crescimento rápido e possibilidade de “exit”, o caminho normalmente escolhido pelos VCs convencionais.

Na minha tese, por exemplo, penso em negócios escaláveis com base tecnológica e empreendedoras femininas. Mas sempre com foco em founders com perfil arrojado e éticos.

Por que invisto em startups

Apesar dos ativos tradicionais, como renda fixa e renda variável, serem certamente mais líquidos, o ganho potencial com um projeto de sucesso pode ser muito mais interessante. Lembrando que isto pode variar conforme o estágio de desenvolvimento da startup. E sinceramente, não é só por isso que investimos em Startup. A jornada de aprendizado e crescimento nos motivam a cada dia. Assistir à transformação do nosso mundo pelos projetos de empreendedores dinâmicos e criativos que apoiamos é muito gratificante.

Pela perspectiva de retorno, os investimentos em startups Early Stages são os que oferecem maior possibilidade de ganho. Essas rodadas são, também, as mais arriscadas. Neste estágio muitos negócios não tiveram suas teses validadas pelo mercado. É aqui que temos a maior taxa de mortalidade. Razão pela qual os primeiros investidores são chamados de “Anjos”. Eles são os primeiros a acreditar, apoiar e impulsionar essas iniciativas.

São o capital Seed, ou em alguns casos pre-seed. A partir daí, as startups que forem bem-sucedidas entram numa trilha de crescimento e vão captando recursos com venture capital e private equity em rodadas subsequentes, seguindo pelas séries A, B, C, E.

No entanto, mesmo como anjo, existem diferentes formas de entrar nestes negócios. A maioria dos Investidores monta um portfólio de negócios segundo a sua tese e disponibilidade de recursos. Entrando com investidor individual, ou diluindo risco em investimentos coletivos, que ocorrem via grupos de anjo, sociedades por cota de participação, ou via plataforma de equity crowdfunding que são reguladas pela CVM.

O papel do investidor anjo

O papel dos anjos não se restringe ao aporte financeiro. Em geral, eles contribuem com seus conhecimentos, experiência e rede de relacionamentos atuando na posição de mentores, advisors, o famoso “smart money’‘. Como mulher, que trabalhou em função executiva, mas viveu as dores como empreendedora, sei que posso contribuir com um olhar diferente e com novas maneiras de analisar os negócios, trazendo também diversidade e empatia.

Já a intensidade e o formato deste apoio depende de vários fatores. Do tamanho do cheque, do percentual de participação, da quantidade de investidores, de quem lidera a rodada e do formato do investimento. Lembrando que o jogo aqui é maximizar os ganhos de todos com o sucesso futuro da empresa.

Em investimentos coletivos, o mais comum é que se tenha uma liderança para conduzir as conversas entre o grupo de investidores e o empreendedor. Desta forma o empreendedor não fica sobrecarregado por demandas. Nem sempre temos espaço para negociar os termos e condições do investimento, por isso é importante escolher parceiros sérios para que haja equilíbrio na relação.

No Brasil, a forma mais comum de formalizar a relação entre os investidores e a Startup é um título de dívida conversível. No caso do crowdfunding, esse título se enquadra como valor mobiliário (seguindo a regulação de ofertas da CVM). já no investimento via grupo de anjos ou investimento individual, o instrumento mais comum é o Contrato de Mútuo Conversível. Este tipo de contrato protege o investidor, já que desta forma ele minimiza o risco em participar de um negócio em que não tem nenhuma gestão.

De praxe, essas dívidas não voltam para o investidor como uma quantia de dinheiro, mas sim participação societária, que só será revertido em valor financeiro nos chamados eventos de liquidez. Se a startup receber um investimento subsequente, fizer um IPO ou for adquirida ou por outra empresa, o investidor tem a chance de apurar o retorno sobre seu investimento.

Normalmente o caminho não é tão curto, mas com certeza é divertido. As empresas do “mundo tradicional”, sejam elas pequenas ou grandes, têm muito a aprender com a cultura de inovação e adaptabilidade das Startups. Eu, certamente, aprendo todo dia. Qualquer um que queira se manter relevante tem que buscar novas formas de se comunicar, interagir com o mundo. Comunicação e troca é o que mais se vê no ecossistema de Startups. Para ganhar espaço e aparecer por aqui é preciso dividir para somar.

O artigo apresenta a visão do colunista sobre a questão abordada, e não reflete a opinião da beegin, do Grupo Solum ou qualquer uma de suas empresas. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre o mercado de investimentos alternativos e suas tendências.

Por Juliana Noronha

Juliana Noronha é executiva em Estratégia e Inovação pelo MIT Sloan Executive Education, e construiu sua carreira como Empreendedora, Executiva em Empresas de Tecnologia (entre elas a TOTVS), Marketing e Merchandise, e Educação. Com sua inquietação e curiosidade entrou de cabeça no empreendedorismo de inovação atuando como Conselheira e Investidora Anjo em Startups. Startups investidas*: 100OpenStartups ; 3,2,1 Beauty; 7waves; Holistix

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One thought on “O que aprendi em minha jornada como investidora anjo”
  1. O texto trouxe a possibilidade de entrar e conhecer um pouco mais os bastidores do investimento em startups assim como o perfil de um investidor anjo e o que ele busca. Muito se fala sobre startups e investimentos em startups porém sempre partindo do princípio de que roda conhecem a dinâmica desse universo, e desta forma várias dúvidas permanecem sem que se saiba por onde começar a esclarecê-las.
    Excelente conteúdo e linguagem de comunicação.

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