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fev 2, 2021
Como investir em private equity de acordo com seu perfil de investidor
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Quando um investidor começa a explorar as oportunidades em investimentos alternativos, como private equity, ao pensar se deve ou não dar este passo, ele deve primeiro conhecer seu perfil de investidor e quais os produtos de investimento alternativo que melhor se adequam a ele.

Esta avaliação não é apenas importante, mas é uma exigência da CVM (Comissão de Valores Mobiliários), regulador no Brasil. A Instrução CVM 539, de novembro de 2013, estabelece que “As pessoas habilitadas a atuar como integrantes do sistema de distribuição e os consultores de valores mobiliários não podem recomendar produtos, realizar operações ou prestar serviços sem que verifiquem sua adequação ao perfil do cliente”. Ou seja: pela regulação, você só pode receber uma recomendação de investimento adequada ao seu perfil.

Oportunidades para perfil de investidor conservador

Um investidor que o mercado costuma classificar como de “perfil conservador” é, segundo a ANBIMA 1, aquele que “declara possuir baixa tolerância a risco e que prioriza investimentos em Produtos de Investimento com liquidez”. Por “baixa tolerância a risco” entende-se quem está guardando dinheiro para um objetivo de curto prazo, como comprar um carro ou fazer uma viagem, ou alguém que tem alta aversão a perdas Esta pessoa até pode aceitar um rendimento menor, mas não pode ver seu patrimônio reduzido à metade de uma hora para outra.

Pela Diretriz da ANBIMA, um investidor com este perfil só pode receber recomendações de renda fixa emitidas por instituições seguras, como títulos públicos ou CDBs emitidos por bancos que tenham rating equivalente a grau de investimento 2. Ou seja: pelas regras do mercado de capitais, não é recomendável que um investidor de perfil conservador aloque seu patrimônio em fundos de investimento mais arriscados ou investimentos alternativos.

Neste momento, um investidor comum pode estar pensando que, então, os investimentos alternativos, como os de private equity, não são para eles. Entretanto, um alerta: se o investidor está disposto a investir em fundos de investimento mais arrojados, ações na bolsa ou em criptomoedas, ele não tem perfil conservador. Quem tem esse perfil não está disposto a correr os riscos da volatilidade dessas modalidades.

Por isso, avalie se você realmente é um investidor de perfil conservador antes de acreditar que investimentos alternativos não são para você. 

Oportunidades para perfil de investidor moderado

O que o mercado chama de “perfil moderado” é definido pela ANBIMA, como quem “declara média tolerância a risco e busca a preservação de seu capital no longo prazo, com disposição a destinar uma parte de seus recursos a investimentos de maior risco” 3.

A ANBIMA recomenda em sua diretriz que este perfil seja recomendado a investimentos de risco controlado. Entre os exemplos que a instituição apresenta estão fundos imobiliários e títulos de dívida emitidos por instituições que não tenham rating equivalente ao grau de investimento.

Para este investidor há oportunidades interessantes no mundo dos investimentos alternativos. As plataformas de investimento coletivo, reguladas pela Instrução 588 da CVM, podem emitir títulos que atendem a este perfil.

Um deles são títulos de dívida pré ou pós fixados, indexados ao CDI ou a outro índice de rentabilidade. Pelas regras atuais, as plataformas podem oferecer esses títulos em ofertas que não podem passar de R$ 5 milhões, e com limite de investimento de até R$ 10 mil por oferta. 

Um outro formato aceito são títulos de participação em projetos imobiliários, com rendimento equivalente ao aluguel dos imóveis. É um formato similar ao fundo imobiliário, inclusive na forma de rendimento, e tão seguro quanto.

A principal diferença entre esses títulos oferecidos pelas plataformas de investimento coletivo, como a beegin invest, é a baixa liquidez. Com a evolução do mercado de investimentos alternativos no tempo, contudo, a tendência é se formar um mercado secundário de títulos nas próprias plataformas, o que pode injetar liquidez nesses ativos. Esta possibilidade já vem sendo discutida.  A audiência pública SDM 02/2020 para atualização da Instrução 588, de Março de 2020, sinaliza a potencial autorização para queas plataformas de investimento coletivo possam intermediar negociações secundárias, a princípio de forma tímida, liberada apenas entre participantes originais de uma mesma emissão realizada pelas mesmas 

Oportunidades para investidores de perfil arrojado ou ousado

Um investidor classificado como arrojado ou ousado nada mais é do que quem, segundo a ANBIMA, “declara tolerância a risco e aceita potenciais perdas em busca de maiores retornos” 4.

Na prática, quem investe em ações já é classificado como um investidor com este perfil. Estamos falando das 3,2 milhões de pessoas que estavam operando na bolsa de valores em dezembro de 2020.5

Para este investidor há muitas oportunidades no mercado de investimentos alternativos. Entre elas, um investidor pode optar por:

  • Cotas de fundos de investimento em participações;
  • Investimento direto em empresas de capital fechado;
  • Títulos conversíveis em participações negociados em plataformas de investimento coletivo como a beegin invest;

Em plataformas como a beegin invest, as oportunidades oferecidas são de pequenas e médias empresas promissoras, que já tiveram o seu negócio validado pelo mercado, faturam acima de R$ 3 milhões anualmente, e estão captando recursos para investir em uma nova fase de crescimento. Isto reduz consideravelmente o risco, principalmente se comparado aos investimentos em startups, muitas em estágios mais iniciais de maturidade.

Além disso, os investimentos alternativos são normalmente descorrelacionados e não estão  sujeitos à volatilidade comum da Bolsa. É claro que conseguir negociar a qualquer momento e saber em tempo real qual a cotação de um ativo traz sempre uma sensação de maior controle e liberdade de escolha em termos de mobilidade.

Mas não são raras as situações de oscilações no mercado, quando a bolsa cai mais de 10% por uma crise macro, por exemplo, que todos ativos listados se desvalorizem. Geralmente os motivos desta volatilidade não alteram os fundamentos de longo prazo da maioria das empresas, bem como a percepção de valor sobre as mesmas, mas trazem invariavelmente algum nervosismo para os investidores, que podem tomar decisões precipitadas de liquidar suas posições.

Esse, portanto, é um aspecto negativo de ser uma empresa pública, e é algo que não acontece com empresas privadas. Por isso, entre outros motivos, que alocar recursos em private equity é para investidores de longo prazo, porque se boas escolhas forem feitas, o valor de seus ativos tende a crescer sem serem afetados pelas oscilações de curto prazo do mercado aberto.


Se você quer conhecer mais o mercado de investimentos alternativos, faça os cursos da Solum.ed. Nele você vai conhecer como explorar as oportunidades e acessar as melhores opções de investimento.

Notas

1 ANBIMA. Diretriz de Suitability. São Paulo: ANBIMA, 2019. página 4

2 ANBIMA. Diretriz de Suitability. São Paulo: ANBIMA, 2019. página 10

3 ANBIMA. Diretriz de Suitability. São Paulo: ANBIMA, 2019. página 4

4 ANBIMA. Diretriz de Suitability. São Paulo: ANBIMA, 2019. página 4

5 B3. Histórico pessoas físicas. Disponível em http://www.b3.com.br/pt_br/market-data-e-indices/servicos-de-dados/market-data/consultas/mercado-a-vista/historico-pessoas-fisicas/. Acessado em 16 de janeiro de 2021.

Crédito da foto:  Hand photo created by standret – www.freepik.com

Por Rodrigo Fiszman

CEO e sócio fundador do Grupo Solum. Membro dos conselhos da Solum, Beegin, Proseek e Hillel Rio. Ex sócio da XP, onde liderou a estruturação da área de Gestão de Patrimônio.

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