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set 9, 2021
conveniência
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A deflagração da pandemia global de covid-19 forçou mudanças radicais no comportamento do consumidor, que teve que se isolar e permanecer mais em casa. Essas mudanças tiveram impacto especial no varejo, e um dos modelos que ganhou força foi o da conveniência.

Um estudo realizado pela Nielsen e Zebra Technologies apontou que o número de lojas do varejo de vizinhança cresceu 4,9% em 2020 sobre 2019, e o de conveniência 11,9%. Enquanto isso, os hipermercados tiveram uma redução de 1,3% no número de lojas.

Isto acompanha uma tendência identificada pela Nielsen nos Estados Unidos, onde os supermercados menores tiveram crescimento de 17% e os maiores tiveram queda de 5% nas vendas. No Brasil, ela mapeou um crescimento de 6,8% nas vendas das lojas de conveniência, porque elas se tornaram uma opção para as compras de abastecimento da despensa doméstica.

Isto levou a uma movimentação dos negócios neste segmento no Brasil. Em fevereiro, as Lojas Americanas e a Vibra, antiga BR Distribuidora, firmaram uma joint-venture para integrar as lojas das redes BR Mania e Americanas Local[1]. Esta operação deu origem a uma rede de 1.255 lojas de conveniência integradas à infraestrutura omnichannel das Americanas.

A rede am/pm, controlada pela Ultrapar, também está expandindo, com planos de atingir penetração em 60% dos postos de combustível brasileiros[2]. De acordo com o BTG, ela sozinha pode atingir 30% do valor de mercado da holding, que também controla a rede de postos Ipiranga, a rede extrafarma, a transportadora Ultracargo e a Ultragaz.

A Raizen, por sua vez, firmou uma parceria com o grupo mexicano Femsa para trazer ao Brasil a rede de microvarejo OXXO, a maior de conveniência do México[3]. Só no primeiro semestre de 2021 foram abertas 17 novas lojas da rede[4].

Thomas Edison

Oportunidades para o investidor

As principais oportunidades para o investidor que se interessa pelo mercado de varejo de conveniência estão no investimento em empresas privadas. Neste momento, as melhores perspectivas de crescimento acelerado estão em scale ups de porte médio.

Entre os aspectos que definem a atratividade de um investimento neste segmento, podemos considerar:

  • Presença na última milha: se a rede apresentar uma capilaridade tal que consiga estar o mais próximo possível do consumidor, especialmente considerando sua presença maior em casa, ela estará melhor posicionada para alavancar as mudanças no comportamento causadas pela pandemia;
  • Escalabilidade da rede: o modelo de negócio deve permitir a expansão mais acelerada e sustentável de novas unidades, considerando aspectos operacionais, estratégia de localização e logística.
  • Tecnologia e competitividade: a viabilidade econômica da rede, sem perder qualidade no atendimento, precisa considerar processos e tecnologias que suportem sua expansão e sua operação com competitividade. Por meio das tecnologias adequadas é possível desenvolver o mix adequado de produto, considerando variáveis como clima, localização, histórico de consumo dos clientes, entre outros.

Para finalizar, é importante ter no radar estratégias de negócio que ganharam tração graças às mudanças de comportamento. Modelos que até antes seriam menos escaláveis estão crescendo mais por conta das transformações dos hábitos do consumidor, que ampliaram a demanda por essas soluções. Fique atento a elas.

Referências

[1] INFOMONEY. BR Distribuidora e Americanas fecham parceria em lojas de conveniência; analistas destacam operação “ganha-ganha”. 25 de fevereiro de 2021. Disponível em https://www.infomoney.com.br/mercados/br-distribuidora-e-americanas-fecham-parceria-em-lojas-de-conveniencia-analistas-destacam-operacao-ganha-ganha/ Acessado em 24 de agosto de 2021.

[2] LAURENCE, Felipe. Lojas am/pm podem chegar a 15% do valor de mercado da Ultrapar, diz BTG. 22 de julho de 2021. Disponível em https://valorinveste.globo.com/mercados/renda-variavel/empresas/noticia/2021/07/22/lojas-ampm-podem-chegar-a-15percent-do-valor-de-mercado-da-ultrapar-diz-btg.ghtml Acessado em 24 de agosto de 2021

[3] UOL. OXXO: rede de varejo mexicano inaugura sua primeira loja no Brasil. 01 de dezembro de 2020. Disponível em https://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2020/12/01/oxxo-rede-de-varejo-mexicano-inaugura-sua-primeira-loja-no-brasil.htm Acessado em 9 de setembro de 2021.

[4] SUPERVAREJO. OXXO abre cinco novas lojas na capital de SP. 25 de junho de 2021. Disponível em https://supervarejo.com.br/materias/oxxo-abre-cinco-novas-lojas-em-sp, Acessado em 9 de setembro de 2021.

Por Luís Henrique Almeida

Sócio e Head de Análise do Grupo Solum, responsável pela análise dos investimentos em empresas. Conta com mais de 15 anos de experiência profissional em Private Equity, Venture Capital, M&A Advisory e Consultoria Estratégica. Trajetória internacional, com trabalhos em diferentes setores no Brasil, Inglaterra, Itália, México e Guatemala. Bacharel em Administração de Empresas (FGV-EAESP), Educação Executiva (Insper) e Extensão (Barcelona).

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