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dez 9, 2021
ESG oportunidades não óbvias
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As teses de investimento ESG estão ganhando força no mercado de capitais nos últimos anos. Por exemplo, em levantamento recente da Previc, 56% das entidades de previdência complementar já consideram critérios ESG na hora de realizar um investimento[1]. Indício de que esta tendência está se consolidando como base para tomada de decisão de investidores.

Para as empresas, a adoção crescente dos critérios ESG para investimento representa um desafio a mais. Os modelos de classificação de empresas como sustentáveis evoluíram nas últimas décadas, e estão mais exigentes. Os padrões de certificações como B Corporation, ou mesmo os standards da Global Reporting Initiative, que tratam dos indicadores de sustentabilidade, apontam cada vez mais para a conexão dos compromissos das empresas e seus objetivos estratégicos de negócio.

Isto significa que, ao decidir incorporar os critérios ESG na estratégia de negócios, uma empresa hoje tem um ciclo de maturação mais profundo e desafiador do que há uma década e meia, quando a bolsa lançou o Índice de Sustentabilidade Empresarial, um dos primeiros indicadores do país. Ela terá que comprovar que seus compromissos são reais, e ao mesmo tempo ter um plano de ação para lidar com o legado deixado pelo tempo em que os compromissos ainda não existiam.

Grandes organizações que assumiram seus compromissos há alguns anos já avançaram muito neste processo. A alemã BASF, por exemplo, há quase uma década adota o Direcionamento de Solução Sustentável, para revisar e atualizar de forma constante todo o seu portfolio de produtos a partir dos impactos de sustentabilidade na cadeia. Desta forma, eles vêm descontinuando produtos que, mesmo rentáveis do ponto de vista de negócio, trazem impactos ambientais e sociais. Por outro lado, estão impulsionando os chamados Aceleradores, ou seja, produtos que superam as expectativas e necessidades do cliente e, ao mesmo tempo, reduzem os impactos sociais e ambientais.

Neste contexto, quem começa a se mover para o ESG agora já parte em desvantagem. Por outro lado, se os compromissos são reais e a disposição de agir para se tornar uma empresa ESG existe, esses novos entrantes podem se tornar uma oportunidade oculta de investimento para teses voltadas à adequação das empresas, e não apenas àquelas que já atingiram as certificações necessárias.

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Ganhos potenciais na adequação ao ESG

Considerando que uma empresa se torna atraente para os investidores com teses ESG, um investidor de venture capital pode prospectar oportunidades de capturar parte deste ganho no gap entre o valuation com e sem o prêmio de sustentabilidade. Trata-se de um desafio à parte, que envolve uma avaliação muito criteriosa do ativo e da oportunidade, mas que pode incorporar retornos interessantes.

Evidentemente, a análise de um deal com este perfil envolve a avaliação de características específicas do negócio, com foco na viabilidade de a empresa realmente entregar este turnaround sustentável. Entre os fatores a serem considerados, destaco:

  • Compromissos da gestão: avaliar a fundo o perfil histórico da gestão da empresa, dos sócios e diretores, tanto do ponto de vista da capacidade de execução do turnaround quanto de sua disposição em realmente seguirem os compromissos propostos;
  • Conexão dos compromissos com a estratégia: é importante que os projetos ESG estejam alinhados e conectados com a estratégia de negócios da empresa, potencializando sua geração de valor. Compromissos desalinhados podem ficar ameaçados de descontinuidade em cenários de crise;
  • Tamanho e impacto do legado: é importante avaliar o que a empresa está deixando para trás, e qual o custo da mitigação deste legado. Parte considerável do esforço e da alocação de recursos estará nesta frente, e estimá-lo corretamente pode fazer a diferença entre ganhar ou perder dinheiro na operação.

Uma tese de investimentos focada neste processo de adaptação ao ESG pode ser um interessante gerador de oportunidades para os gestores que estão focados nos projetos mais maduros em sustentabilidade e governança. E, no final, o ambiente de negócios como um todo tende a sair mais forte.

Referências

[1] SCHINCARIOL, Juliana. 56% dos fundos de pensão consideram ESG ao investir. Valor Econômico, 3 de setembro de 2021. Disponível em https://valor.globo.com/financas/noticia/2021/09/03/56-dos-fundos-de-pensao-consideram-esg-ao-investir.ghtml Acessado em 15 de outubro de 2021

O artigo apresenta a visão do colunista sobre a questão abordada, e não reflete a opinião da beegin, do Grupo Solum ou qualquer uma de suas empresas. Sua publicação obedece ao propósito de estimular o debate sobre o mercado de investimentos alternativos e suas tendências.

Por Humberto Matsuda

Humberto Matsuda é sócio da Matsuda Invest. Com mais de 15 anos de experiência em venture capital e investimentos em participações, foi um dos fundadores da Performa Investimentos, onde figurou como sócio-gestor por mais de dez anos. Em 2014, tornou-se membro do conselho da ABVCAP e em 2015 da Anjos do Brasil e do Dínamo. Em 2019, fundou a Matsuda Invest. Além disso, atua como membro do Conselho da Climate Ventures e representante externo do comitê de investimentos do Grupo Ultra.

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